segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Qual é o seu bicho, torcedor?


Calma amigo leitor, não está entendendo o título deste post?

Para provar que na literatura esportiva tem livro sobre tudo quanto é tipo de assunto, Literatura na Arquibancada destaca uma obra curiosa, divertida e informativa sobre a representação animal no esporte, especialmente no futebol. “A simbologia animal no esporte” (Editora Scortecci, 2000), foi escrito pelo biólogo Aristides Almeida Rocha.

O livro abre com explicações sobre os diversos significados que o animal e suas representações tomaram no decorrer da história, passando por deuses com forma animal, xamãs, totens e mascotes, e por conceitos e definições de símbolos e alegorias. 


Depois disso, Aristides Rocha começa a falar sobre os animais no futebol.







Escudo-Distintivo da Federação Francesa de Futebol
Nos capítulos seguintes, Aristides fala também sobre os animais presentes nos brasões dos clubes e das seleções nacionais, dividindo-os por grupos como Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Ele ainda recorda uma série de casos de jogadores com nomes de animais, assim como de dirigentes e árbitros. Há ainda a representação dos animais nas torcidas, nos estádios e na terminologia futebolística, assim como a relação entre o futebol e os animais na literatura, na música e no cinema.

Então vamos à algumas representações levantadas pelo autor:

Mamíferos – dentre os vertebrados, essa Classe (do latim mamma+ferre) – cuja principal característica é serem os seus representantes dotados de glândulas mamárias – é aquela que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica, e como mencionado é também a esse grupo de animais que com maior freqüência o homem desportista recorre para a representação daquilo que considera atribuições ideais para a agremiação de sua preferência através da mascote ou do símbolo.

Alce
Esse animal, que normalmente permanece silencioso durante todo o ano, próximo da época de reprodução, no mês de abril, passa a mugir como um boi. O alce, animal cervídeo, que possuí longos chifres esgalhados, afirmam os esotéricos, pode simbolicamente alcançar o Sol. Dotado de força e resistência, sendo muito rápido e bastante equilibrado, vivendo em grandes bandos, confere a ideia de paz e harmonia de grupo. Induz também à auto-estima e honradez.

Mascotes do Kashima Antlers.
O Kashima Antlers FC, uma companhia limitada de Tóquio, no Japão, na qual jogou, foi campeão, técnico e dirigente o famoso Zico, o galinho de Quintino, tem como símbolo mascote um alce. Este aparece estilizado, em pé, e calçando chuteiras.
Assim também ocorre com o FC Lokomotiv Nizhni, da cidade russa de Novgorod, fundado em 1897, que tem no escudo-distintivo um alce vermelho, e ainda com o SCC Cambuur, da cidade de Leeuwarden, fundado em 1964, na Holanda.

Bode

O bode, animal ruminante, macho da cabra, embora tido como colérico, muito agitado e impetuoso, e simbolizando a pujança genésica, a força vital, a fecundidade, está também associado ao sacrifício, sendo usado em rituais religiosos. A história do São Paulo Futebol Clube está associada a esse animal. (...)



Para essa história do "Bode Augusto",
ver também a versão de Agnelo di Lorenzo,
ex-historiador do SPFC em
http://spfcpedia.blogspot.com/2009/09/bode-augusto.html 
Conta Milton Pereira dos Santos, Miltão, o gentleman, lendário atleta do SPFC, que surgiu no Canindé (Chácara da Floresta, local onde o São Paulo começou a treinar na década de 1930) um bode. O animal logo foi adotado por funcionários, atletas e sócios, recebendo o nome de Augusto. Não se sabe bem por que o bode tricolor acabaria se acostumando a comer e mascar tabaco. A tal ponto o vício chegou que, ao farejar e sentir o cheiro de tabaco no bolso de algum desavisado, punha-se às vezes sobre as patas traseiras e, sorrateira e rapidamente, abocanhava o maço de cigarros. Esse animal, tão útil para uns, e talismã da sorte para outros, acabou morrendo tragicamente atropelado. Talvez por isso, além da venda do Canindé e do período da construção do Morumbi, o São Paulo tenha atravessado a década de 60 sem qualquer título.


Aves

Canário

Essa ave passeriforme canora, predominantemente de cor amarela, com matizes que vão desde o alaranjado até ao branco, originária das ilhas Canárias, Madeira e Açores, tornou-se a evocação de um ser singelo, símbolo da paz duradoura. (...)


O Esporte Clube Ypiranga do Estado da Bahia, devido à cor de seu uniforme, tem o apelido de Canário. Fundado em 7 de setembro de 1906, com dez títulos estaduais, o último em 1951, é o time do escritor Jorge Amado.









Pelicano

Os pelicanos, aves palmípedes, têm bico com bolsa ventral extensível, onde armazenam os peixes destinados à alimentação dos filhotes. Essas aves são tidas como o símbolo da natureza úmida, e também como figura do sacrifício de Cristo e de sua ressurreição, pois acreditava-se que alimentavam os filhotes com a sua própria carne e sangue.



O Liverpool FC, dessa mesma cidade da Inglaterra, fundado em 1892, tem como símbolo um pelicano de cor vermelha, que aparece no escudo-distintivo do clube.







Artrópodes

Gafanhotos

Os gafanhotos são insetos e, portanto, apresentam metamorfose, passando do ovo à larva, desta à ninfa ou forma jovem, até atingir o corpo e a forma adulta. A presença de gafanhotos, embora desde as narrativas do Velho Testamento constitua a própria imagem da praga e da devastação, pode entretanto indicar felicidade. Na China antiga tinha o significado de prosperidade, pois a relação simbólica era afeita ao poder de multiplicação que tem esse inseto, sendo, portanto, considerado como uma benção celeste. Além do mais, o ritmo de seus pulos era associado aos ritos da fecundidade, às regras de equilíbrio social e familiar.

Todos os gafanhotos são insetos da ordem Ortoptera, que se alimentam de vegetais, sendo comumente encontrados em jardins, pastos e, claro, podem também aparecer em gramados dos estádios de futebol.
Esse fato não passaria desapercebido de um grupo jovem de estudantes suíços, que ao final do século XIX, entre uma aula e outra disputavam partidas de futebol. Assim, quando em 1886 pretenderam fundar um clube, resolveram homenagear esse inseto atribuindo à agremiação o nome de Grasshopper, que no idioma inglês significa gafanhoto.  Esse Gafanhoto, digo Grasshopper suíço, foi até 1999, vinte e quatro vezes campeão nacional, além de vencer dezoito Copas da Suíça.

Sobre o autor:

Aristides Almeida Rocha possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (1966), mestrado (1972) e doutorado (1976) em Ciências Biológicas no Instituto de Biociências dla Universidade de São Paulo. Atualmente é professor titular aposentado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Engenharia Sanitária, com ênfase em Saneamento Ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: educação ambiental, saneamento, limnologia e hidrobiologia sanitária sanitária, impactos ambientais e saúde pública. É autor de diversos livros, entre eles “Do lendário Anhembi ao Poluído Tietê” (Edusp, 1991).

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