sábado, 17 de dezembro de 2011

O Gol Iluminado


Amanhã, domingo, Santos e Barcelona fazem um dos jogos mais esperados do ano. É a decisão do Mundial Interclubes. Há exatos 5 anos, outro clube brasileiro, o Internacional de Porto Alegre fez com os espanhóis o que todos esperam – pelo menos a torcida do Santos: trazer para o Brasil mais um título de campeão.

A situação do Internacional era muito parecida com a do Santos: o favoritismo quase total para o Barcelona. Na crônica abaixo, o gaúcho de Santa Maria, Athos Ronaldo Miralha da Cunha, cronista colorado de corpo e alma, relata a façanha realizada pelo Internacional contra o também poderoso Barcelona. O texto faz parte do livro “O Gol Iluminado” (Editora Manuzio, 2009). E que o título do livro e deste post possa inspirar a turma do Santos contra o Barça...

Plagas Distantes

O dia 17 de dezembro de 2006 ficará eternizado nas mentes dos colorados. Será inesquecível porque foi marcado pela superação e glória. Acordamos cedo, aquecemos a água para o chimarrão e aguardamos, ansiosos, as imagens de Yokohama. Nesse dia, o Internacional não faltou ao encontro com sua história. Houve uma inversão da lógica. Uma desobediência com a certeza. E uma brincadeira com o inevitável.

Do lado de cá do mundo, torcemos. Do lado de lá, garra farroupilha. De onde vieram aqueles guris com os olhos postos no sol-nascente? Irreverentes e audaciosos. Falta de educação dessa piazada. Eles não se enxergam? Quem são aqueles garotos que ousaram desafiar uma constelação? Um verso do poema Reflexão de Colmar Duarte nos dá a síntese desse feito: “as estrelas só enfeitam a noite porque o sol não pode vê-las”.

Na terra do Sol... e o futebol é assim mesmo, nos surpreende a cada jogo, por isso que é apaixonante, pois a lógica sempre é revista. E o certo é duvidoso. 2006 foi um ano ímpar para o futebol brasileiro. A nossa seleção de galácticos fracassou na Alemanha. A soberba e a prepotência derrotaram talentos individuais. E, em meio à Copa, amarguramos uma volta silenciosa.

Na decisão do mundial interclubes, tivemos algo semelhante. O Barcelona, com sua constelação, tinha convicção da vitória. No entanto, aconteceu o que parecia absurdo. Mas explicável, porque futebol é conjunto, espírito de grupo e muita dedicação. Claro, acompanhado com gênios fica melhor e mais fácil. O Internacional não tinha gênios, mas tinha uma equipe com atletas medianos e esforçados, planejamento e vontade de vencer.

Ah! Tinha um moleque chamado Pato, um Luiz e um Gabiru. E aí consiste a grande lição. Futebol é união, talento e perseverança. De um lado, semideuses e milionários. Do outro, gaúchos, gauchos e uma gana missioneira. E uma legião de corações esperançosos e convictos.

Adriano Gabiru comemora o gol mais
importante da história do Internacional.
Crédito: Jefferson Bernardes/VIPCOMM
Haja coração e água quente para o mate! Essa vitória foi memorável. Ruiu um castelo medieval. 

Há algo de ar nesse sólido que desmanchamos e felicidade nesse desbravado oriente. 

Em 1957, Nélson Silva previu essa conquista quando compôs “Celeiro de Ases”. 

Enfim, os versos “Levas a plagas distantes” e “Correm os anos surge o amanhã, radioso de luz” definem o longínquo Japão e o Sol como testemunha da vitória.





Sobre Athos Miralha da Cunha:

Casado, dois filhos, tem como hobby a escrita: crônicas, poesias, histórias. Tudo é transformado em literatura na sua Santa Tecla, codinome que inventou para brincar de escritor. Participou de vários concursos literários em seu estado e ganhou menção honrosa no Concurso de Crônicas da Universidade Federal de Santa Maria e Destaque Literário da Alpas XXI (Associação Literária a Palavra do Século XXI). Concorreu duas vezes aos prêmios Caixa de Histórias e Banco de Talentos, com crônica e poesia. 



Um comentário:

  1. Anônimo20:39

    Grande abraço e sucesso ao site "Literatura na arquibancada".

    Athos Ronaldo Miralha da Cunha
    Santa Maria - RS

    ResponderExcluir