quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Em campo aberto


Na literatura esportiva são raros os autores que se atrevem a escrever romances. O primeiro título no gênero de que se tem notícia é um “clássico” do jornalista Thomaz Mazzoni, conhecido como Olimpicus, “Flô, o goleiro melhor do mundo” (Editora Civilização Brasileira, 1941).

Desde então, a lista de romances em que o futebol está presente (e não especificamente sobre o esporte) não é grande. 

No livro “Balançando o véu da noiva”, de autoria do Prof. Luiz César Saraiva Feijó, de Blumenau, ele apresenta alguns dos mais importantes títulos e que pouca gente conhece:

“Os interesses da companhia”, de Gilberto Amado (Editora José Olympio, 1942); Água Mãe, de José Lins do Rego (Editora José Olympio, 1941); Romance do Futebol, de Mário Filho (Pongetti, 1949);
“Informação ao crucificado”, de Carlos Heitor Cony (Civilização Brasileira, 1961); “Passagem dos inocentes”, de Dalcídio Jurandir (Livraria Martins Editora, 1963) e quatro obras de Marques Rebelo, “Coleção O espelho partido” (Vol.I “O trapicheiro”, Ed. Nova Fronteira, 1959), “Memórias do Olimpic” (1944), “Sentimento esportivo” (1965), “Campeões do Mundo” (1958).

Tudo isso para dizer que chegou recentemente ao mercado um romance de primeira e que tem o futebol como pano de fundo. “Em campo aberto” (Editora Record), é o romance de estreia do gaúcho Claudio Lovato Filho, autor que o Literatura na Arquibancada já destacou aqui nesse espaço com a obra “O batedor de faltas” (Editora Record, 2008), seu segundo livro. Apaixonado por futebol, Lovato iniciou a trajetória de escritor com outro belíssimo livro de contos, “Na marca do pênalti” (Editora 34, 2002).

Sinopse:

Em campo aberto aborda os altos e baixos das relações humanas de uma forma bastante original. Claudio Lovato Filho utiliza o futebol como pano de fundo de seu novo romance que narra o intenso relacionamento entre pai e filho. Todos os sentimentos que emergem durante uma partida de futebol são explorados pelo autor nesta história de superação.
Ao unir estes dois temas, ele mostra como o esporte consegue unir as pessoas e desfazer os nós que a vida cria. Em campo aberto, de Cláudio Lovato Filho, explora o imaginário em torno do esporte mais querido dos brasileiros.

Através da relação entre  pai e  filho, o narrador costura o drama pessoal de cada um. O filho, que nem sequer tem nome, uma identidade, representa todos os meninos que carregam sonhos e dramas familiares e veem no futebol a esperança da transformação, porque se projetam em seus ídolos. Através do futebol, essas relações vão se transformando, mesmo que em silêncio.
Como no futebol, as relações humanas têm altos e baixos. A catarse do gol é promessa de felicidade. “(...) esse menino e esse pai se transformam em pedaços da biografia de todos nós, brasileiros. São eles/nós que experimentam a excitação proporcionada não só pela partida decisiva como pela relação nem sempre redondinha entre as gerações”, escreve o jornalista Arthur Dapieve, responsável pela quarta capa do livro.

Futebol é assunto pra lá de sério no Brasil. É um dos únicos esportes que une gerações em torno de um propósito e é uma fonte inesgotável de autênticas emoções. Dapieve lembra de uma passagem que capta bem o efeito do futebol nas pessoas: “Luis Fernando Veríssimo certa vez escreveu que gostava tanto de futebol porque, já tendo 60 anos, o jogo era a única coisa que conseguia fazê-lo sentir-se ainda com 6”. Claudio Lovato explora este envolvimento que o futebol proporciona neste novo livro.

Fonte: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=25512

Sobre o autor:

Cláudio Lovato Filho nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1965. Ainda na infância, mudou-se com a família para Porto Alegre, onde, em 1988, formou-se em Jornalismo. Iniciou a carreira em jornais de Santa Catarina, nos quais foi repórter e editor. Radicado no Rio de Janeiro há 15 anos, atua hoje na área de comunicação empresarial. Ele também mantém o blog  http://claudiolovato.wordpress.com/

6 comentários:

  1. Anônimo21:28

    Venho acompanhando, com frequência e satisfação, o belo trabalho desenvolvido pela equipe do Literaturta na Arquibancada. Para mim, portanto, é um grande prazer ter meu novo livro destacado aqui. Segue um forte abraço e o meu agradecimento sincero pelas palavras de incentivo a este autor e, sobretudo, pelo estímulo à criação de literatura voltada para o nosso futebol. Saudações! Cláudio Lovato Filho

    ResponderExcluir
  2. Cládio, é uma enorme satisfação saber que você já vem acompanhando o blog e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. Apenas um detalhe: a equipe do Literatura na Arquibancada, hoje (espero que um dia isso mude), é composta apenas por esse que vos escreve, André Ribeiro. Sabe como é, falamos para os amigos e todos acham a ideia sensacional, mas na hora de sentar o bumbum na frente do computador e "batucar as pretinhas" é difícil. Mas sei como é isso... Vou ser sincero contigo. Por fazer tudo sozinho, de vez em quando corro para a biblioteca Mário de Andrade para abastecer o estoque de livros e foi assim que lá estava eu, na terça-feira atrás do seu livro de 2002, "Na marca do pênalti". Peguei-o, digitei o texto "O veterano" para publicá-lo aqui e recomendar a leitura do livro, quando, pesquisando no google para ilustrar o post soube do seu romance. Guardei o texto que havia acabado de copiar, corri na livraria, comprei o danado e fiquei chapado. Talvez tenha batido uma certa inveja porque a ideia do blog surgiu exatamente por não conseguir terminar um romance que comecei a escrever, baseado na vida do Fausto, a Maravilha Negra. Você não tem que agradecer pela divulgação do seu belo livro, só faço o que a grande mídia (pelo menos a dos cadernos de esporte) deveria fazer por nós, que tentamos escrever algo que colabore para a literatura esportiva. Quando quiser e puder, sinta-se a vontade de enviar textos para cá.Meu e-mail pessoal é a-ribeiro@uol.com.br. Será uma honra para o Literatura na Arquibancada. Parabéns pelo trabalho e pelo talento. Feliz Natal amigo e novos rebentos para 2012,13,14,15,16 e muito mais...

    ResponderExcluir
  3. Cláudio, esqueci-me de dizer uma coisa. Quando puder, leia o post "Para o meu pai", no dia 2/11. Tem a ver com essa relação paixfilho que você soube tão bem revelar no seu livro. abs

    ResponderExcluir
  4. Anônimo17:34

    Caro André, acabo de ler seu texto "Para o meu pai". É uma preciosidade. Receba, por favor, os meus mais sinceros parabéns. É um relato belo e emocionante.
    Em seguida, gostaria de manifestar, novamente, minha admiração pelo trabalho de alta qualidade que você realiza sozinho aí no Literatura na Arquibancada.
    Por fim, quero lhe agradecer, mais uma vez, por suas palavras em relação aos meus livros e lhe dizer que, se você realmente quiser, terei grande satisfação em lhe enviar, de tempos em tempos, textos meus.
    Um forte abraço.
    Cláudio Lovato Filho

    ResponderExcluir
  5. Bom que tenha gostado Cláudio. Fique a vontade para enviar seus textos quando puder e quiser. Reafirmo, será uma honra para os leitores. Um bom ano pra ti e toda a família.
    Grande abraço, André Ribeiro

    ResponderExcluir
  6. Olá, Cláudio. Obrigado pela citação do meu Balançando... Publiquei em 2010 o FUTEBOL FALADO, uma versão ampliada do Balançando..., com algumas crônicas e mais informações linguísticas sobre o formidável mundo do jogo da bola. Mande seu endereço para o meu e-mail (lcfeijo@uol.com.br) que eu lhe enviarei esse novo livro. Parabéns pela LEITURA NA ARQUIBANCADA. Meu SITE, com 2 BLOGs:
    www.professorfeijo.com.br
    Forte abraço
    FEIJÓ

    ResponderExcluir