terça-feira, 15 de novembro de 2011

O único jogador expulso no intervalo de um jogo

Além de ser um dos maiores narradores do país, Luiz Mendes, que nos deixou recentemente, também escrevia como ninguém, relembrando casos curiosos do mundo da bola. O artigo abaixo é um bom exemplo.
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UMA LEMBRANÇA DE ZIZINHO
Há quem diga que Zizinho foi tão bom quanto Pelé. O próprio Pelé diz que o seu grande futebol foi inspirado em Zizinho. As novas gerações de torcedores certamente não viram o grande meia-direita em ação. Pouquíssimas são as imagens que registram lances de que o admirável craque participou. Mas eu tenho gravadas na retina dos meus olhos e fixadas na memória jogadas inesquecíveis do extraordinário jogador. Sempre digo que o meia-direita da Seleção de 1934 (Copa do Mundo da Itália), Waldemar de Brito, prestou dois imensos serviços ao futebol do Brasil: quando ele jogava no Flamengo, saiu do rubro-negro e foi para o San Lorenzo de Almagro, da Argentina. Aí, abriu espaço para a entrada de Zizinho no time da Gávea, ganhando o Brasil o maior jogador daquele tempo. Bem mais tarde, quando nem jogava mais, Waldemar de Brito descobriu em Bauru, interior de São Paulo, um menino de 14 anos e o levou para Santos. Era nada mais nada menos que Pelé.

O estupendo Zizinho entrou na equipe do Flamengo em 1939 e ficou lá até 50, quando se transferiu para o Bangu permanecendo em Moça Bonita até 1957. Já com 35 anos, foi para o São Paulo e atuou no clube em 1957 e 1958, sendo campeão paulista de 57. Encerrou a carreira aos 40 anos no Audax Italiano, do Chile, pelo qual atuou entre 58 e 62. Os jogadores outorgaram a Zizinho a homenagem de chamá-lo de “Mestre Ziza”.

Pois com Zizinho aconteceu uma das mais interessantes histórias da bola. Jogavam Bangu e Vasco no Maracanã. O árbitro era Eunápio de Queiroz. Ao terminar o primeiro tempo, o repórter de rádio Luiz Fernando levou seu microfone até Zizinho para algumas declarações sobre a primeira etapa. O Bangu estava perdendo.

- Que tal o jogo, Zizinho? - perguntou Luiz Fernando.

- Está difícil porque esse juiz não é Eunápio de Queiroz, é Larápio de Queiroz - acusou Zizinho.

Deduraram as declarações do craque ao árbitro. Quando os times voltaram a campo, Eunápio perguntou a Zizinho:

- É verdade que o senhor disse que eu deveria me chamar Larápio de Queiroz?

- Foi, eu disse - respondeu.

- Então pode voltar para o vestiário, o senhor está expulso de campo -sentenciou Eunápio.

E foi assim que Zizinho, um dos monstros sagrados do futebol brasileiro transformou-se , talvez, no único jogador da história expulso no intervalo.


Fonte: Coluna Histórias da Bola, publicada no Jornal dos Sports, em 04/09/2005.


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