segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O rei do reggae e a paixão pelo futebol


Se o Brasil tem o rei do futebol, a Jamaica tem o rei do reggae. Bob Marley era “alucinado” por futebol. E se fosse futebol brasileiro, melhor ainda!!! Em suas excursões, não escolhia lugar para poder bater uma bolinha com os membros de sua banda The Wailers. Quem o viu jogar, garante que se não tivesse seguido a carreira de músico, poderia ter feito sucesso no futebol.


Bob Marley gostava tanto de futebol que certa vez chegou a gravar um disco em estúdio calçando chuteiras !!! Seu time de coração era o Santos, e, claro, fã do rei Pelé. Ao ver as diabruras de Pelé pelos campos de futebol, Marley teve uma certeza sobre o jogo: “O futebol é o mundo. É um universo de emoções. Amo-o porque desperta em mim sensações únicas. Liberdade e paixão. Para mim o futebol é isso.”

Em 1980, um ano antes de sua morte, Bob Marley esteve no Brasil para uma apresentação e, para variar, logo procurou uma maneira de poder bater sua bolinha. Desta vez, queria realizar um sonho: jogar com Paulo Cézar Lima, o Caju. Entrevistado por uma repórter da TV Globo, não teve dúvida de dizer a ela que esse era o seu maior desejo naquele momento. Evidentemente, a repórter não iria perder uma chance dessas. Correu para o encontro com Paulo Cézar Caju e deu o recado ao jogador. Em poucas horas surgiria uma amizade.

É essa a história que você lê abaixo, narrada pelo próprio Paulo Cézar Caju em seu livro sensacional, “Dei a volta na vida” (A Girafa, 2006). Não deixe também de acessar o link abaixo para ler um artigo muito bom sobre  a paixão de Marley pelo futebol:

Bob Marley morreu há 33 anos, no dia 13 de maio de 1981, pouco tempo após o encontro que Caju relata em seu livro.
Em 1980, eu não era muito ligado em reggae, minha onda era soul, música brasileira. Minha amiga Glória Maria, da TV Globo, então repórter, era uma das poucas mulheres que cobriam futebol naquela época. Eu jogava no Vasco e um dia, quando acabei de treinar em São Januário, ela veio entrevistar-me e soltou esta: “Eu tenho uma novidade para você! O Bob Marley acabou de chegar ao Rio para divulgar o disco dele e me falou que adora o futebol brasileiro, que quer conhecer Paulo Cézar Caju e, de repente, até jogar futebol com ele”.

Glória estava hospedada no Copacabana Palace, onde também estavam Marley e sua banda. Saímos direto para lá e ela me apresentou ao revolucionário músico jamaicano, grande ídolo da juventude mundial. Marley me abraçou e logo acendeu um charutão daquele tamanho de haxixe. Todos os músicos da banda fumavam e trouxeram uma mala cheia do “bagulho”. Era a religião deles. Nessa época, eu era careta e pedi para ele ter cuidado. Lembrei o que tinha acontecido com Gilberto Gil em Florianópolis num lance com maconha. Mas ele não estava nem aí.

Bob Marley no campo de Chico Buarque, no dia 19/03/1980.
Em pé Junior Marvin e Toquinho.

Eu sei é que ele largou todo o protocolo e a primeira coisa que fizemos foi nos mandar para o Recreio dos Bandeirantes, onde Chico Buarque tem um terreno imenso no qual ele construiu dois campos de futebol. E logo montamos um time: eu, o grupo de Bob Marley, mais um músico de um grupo inglês, casado com uma amiga minha. Foi uma festa!

Eu tinha treino à tarde e voltei para o hotel com Marley. O disco foi lançado no Noite Carioca, de Nelsinho Motta, no morro do Pão de Açúcar, e criou-se uma amizade maravilhosa entre a gente. Final da história: passamos uma semana juntos.

Uma coisa que me marcou muito foi o dia em que o levei ao meu apartamento no Leblon e o apresentei a minha mãe. Ele queria de qualquer maneira tomar suco de frutas brasileiras. Nós viemos andando pela Visconde Pirajá e paramos numa lanchonete. Foi aquele tumulto: Bob Marley e Paulo Cézar soltos em Ipanema. Aí misturamos manga, abacaxi, melão, mamão e ele tomou tudo na hora. 


À noite, depois do meu treino, fomos jogar pelada de novo com Chico Buarque e jantar de madrugada num bar boêmio no Baixo Leblon. Conheci, então, o empresário dele, marido da ex-mulher de Alain Delon. Era uma mesa enorme e ficamos um bom tempo tomando chopinho, até que Marley falou: “Agora, eu gostaria de comer peixe cru”. Impliquei: “Porra! Como é que eu vou descolar peixe cru a esta hora?” Aí o dono do restaurante, que era meu amigo e amigo dos meus pais, quebrou o galho. Descolou uma bandeja de sashimi e ele devorou tudo.

Eu não conhecia a Jamaica e ele queria que eu fosse para lá dar aula para as crianças jamaicanas, que eram loucas pelo futebol brasileiro. Seis meses depois ele morreu de câncer.
Álbum duplo Bob Marley and the Wailers live forever
Gravado no dia 23/09/1980 - Stanley Theatre









No ano seguinte, o Vasco fez uma excursão pela Europa. Primeiro, fomos para a Itália, onde enfrentamos o Bolonha, que tinha no time o brasileiro Enéas, ex-jogador da Portuguesa de São Paulo. Ganhamos por 2 a 0. Em Roma, pegamos um avião para a Espanha. Enquanto isso, fui dar uma volta pela Via Veneto, entrei numa loja e dei de cara com o disco Best of Bob Marley, um álbum duplo que traz uma foto que muito me orgulha: eu, ele e o Chico Buarque.

Fonte: 
“Dei a volta na vida” (A Girafa, 2006)

vídeo com a reportagem da TV Globo, em março de 1980, 
com direito a gol de Bob Marley na pelada no campo de Chico Buarque.

Para assistir um dos maiores sucessos de Bob Marley, clique aqui.

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