domingo, 27 de novembro de 2011

O jogo do "fala muito"


Por André Ribeiro

Quem estava ligado na televisão ou no rádio neste domingo durante a transmissão do jogo entre Corinthians e Figueirense teve a exata dimensão do outro Corinthians existente na capital paulistana. Outro Corinthians? Como assim? Explico. O Corinthians havia feito a sua parte na rodada, vencendo o Figueirense por 1 a 0. O título estava em suas mãos. A torcida no estádio e em todo o país estava prestes a comemorar mais um título brasileiro. Mas, mesmo com o apito final do árbitro, ninguém poderia comemorar porque no Rio de Janeiro, o jogo entre Vasco e Fluminense, empatado em 1 a 1 até aquele momento, teria ainda mais cinco minutos de tempo extra. Foram os cinco minutos mais silenciosos do planeta. Mas, de repente, um barulho ensurdecedor estourou no ar. Gol do Vasco e a definição do título ficou para a última rodada.

No prédio em que moro, e tenho a certeza que em muitos outros lugares, a cena foi a mesma. Gente na janela gritando “chuuuuuuupa Corinthians”... “Toma gambazada...”. Um barulho ensurdecedor, gritos histéricos, rostos transtornados colocados pelas janelas, todos torcendo contra o Corinthians...Quer dizer, todos não, porque a torcida do Corinthians é enorme e, então, parecia que dois Corinthians estavam em campo, um jogando para sua própria torcida e outro de todos os outros times que não tem mais nenhuma chance de chegar ao título.

Começou um zumzumzum danado. O porteiro do prédio, palmeirense, se arvorou: “Agora quero ver vocês ganharem de nós”...Na padaria, o balconista emenda de primeira logo ao me ver: “Aê Corinthians, quero ver como vai ser domingo...”. Curioso isso. Na padaria, perdemos o nome de batismo e passamos a ser conhecidos pelo time que torcemos...É um tal de: “aê São Paulo, aê Palmeiras, aê Corinthians...”. Só o futebol é capaz de causar esse tipo de reação nas pessoas.

Para não deixar passar batido os comentários pessimistas, não sei exatamente o porquê, dei como resposta as mesmas duas palavras, emendada com o gesto das mãos do treinador corintiano, Tite, ao treinador do Palmeiras, Felipão: “Fala muito...Fala muito...”.

Aconteceu no primeiro semestre, no jogo entre o Corinthians e Palmeiras, nas semifinais do campeonato paulista. Uma imagem que rendeu muita polêmica, dentro e fora do gramado. O fato é que, naquele dia, falando muito ou não, o Corinthians acabou vencendo o Palmeiras, nos pênaltis.

O “fala muito” disparado contra aqueles que queriam tirar uma “lasca” da minha alegria de “quase campeão” ficou rondando meus pensamentos. O fato é que todos esses anticorintianos é que “falam muito”, mas também é fato que o jogo do próximo domingo será o jogo do “fala muito”, novamente.

Alguém tem alguma dúvida de que para o Palmeiras, e em especial para o técnico palmeirense, esse será o jogo mais importante do campeonato?

Conhecendo o “estilo Felipão”, alguém duvida que, se o Palmeiras vencer e tirar o título praticamente ganho do maior rival, o treinador não irá devolver o “fala muito” para Tite e por tabela, para TODOS os torcedores corintianos que estarão assistindo ao jogo?

Alguém duvida que, se esses milhares de “fala muito”, anticorintianos, não irão falar para sempre do dia em o Corinthians virou o time do “fala muito”???

Agora, se o contrário acontecer, e o Corinthians faturar mais um título, a história da final do campeonato brasileiro será eternizada com mais um dos tantos batismos já feitos pelos torcedores, como “a batalha dos aflitos”, “a invasão corintiana” e tantas outras.

Será o título do “fala muito”, porque, com certeza, não haverá um corintiano entre os quase 30 milhões existentes nesse país que deixará de ironizar seu rival apontando com as mãos e falando: “fala muito...fala muito...”

E chega de “falar muito”. Agora é esperar o que a história irá escrever.

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