segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O futebol e a Música Popular Brasileira


Literatura na Arquibancada recomenda a leitura do ensaio “O FUTEBOL E A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA (1915-1990)” escrito pelo músico Celso Branco, para a “Recorde: Revista de História do Esporte”.

Aqui, um pequeno trecho do trabalho. Vale a pena a leitura.

Celso Branco é músico, mestre em História Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC), e doutorando do Programa de Pós-Graduação de História Social (PPGHIS), ambos da UFRJ; também mantém vínculo com o Laboratório de Estudos do Tempo Presente, como pesquisador.

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Da mesma maneira como se afirma que “o samba está no sangue do brasileiro”, afirma-se também que este é “o país do futebol”. A aproximação entre música e futebol ocorre de muitas formas dentro do contexto cultural brasileiro. No próprio dia-a-dia da população podemos encontrar inúmeras comparações entre as regras sociais e um jogo "afinado". De fato, a Música Popular Brasileira e o Futebol são manifestações bastante constantes do povo brasileiro e quando unidas por "craques" da MPB refletem, com incrível precisão, boa parte do nosso imenso universo sócio-cultural e da nossa "brasilidade". Através das letras das canções, isto é, na escolha de determinadas frases e palavras, é que se torna possível uma identificação dos papeis sócio-psicológicos ocupados pelo futebol. E que papéis são estes? Gilberto Freyre, em 1947, já havia percebido com muita clareza, um sentido psicológico coletivo para o futebol no Brasil: “O desenvolvimento do futebol, não num esporte igual aos outros, mas numa verdadeira instituição brasileira, tornou possível a sublimação de vários daqueles elementos irracionais de nossa formação social e de cultura” (Apud SHIRTS, 1982, p. 45).
Elementos irracionais por vezes bastante perigosos, como atesta o famoso jogador Sócrates: “Se não houvesse o futebol, nós teríamos outra coisa. Se não houvesse outra coisa, nós teríamos uma guerra civil a cada dia”. Na verdade, nenhuma atividade esportiva "de massa" pode ser considerada "inocente". O filósofo Althusser cita os esportes como um aparelho Ideológico do Estado (Althusser, 1970, p. 44-46). E os historiadores Norbert Elias e Eric Dunning produziram um interessantíssimo trabalho sobre este assunto, demonstrando que a necessidade de controle da atividade esportiva e do ócio representa uma etapa civilizacional posterior ao controle do homem sobre a natureza e a sociedade: a do controle do homem sobre si mesmo (ELIAS e DUNNING, 1992). Mas é o futebol, no caso brasileiro, confirmado pela frase do Sócrates, que ganha toda essa dimensão sócio-psicológica. Estritamente regulado pela CBD, pela FIFA, e pelas respectivas federações estaduais, o “esporte rei” insere-se na sociedade brasileira não apenas como uma instituição social, mas também política, econômica e, sobretudo cultural, no que se refere à uma identificação com a nossa brasilidade.
Para a antropóloga Simoni Lahud Guedes (1998), é hoje incontestável que, "se desejamos compreender o Brasil, é preciso passar também pelos seus campos de futebol" (p. 5). Muitas vezes valoriza-se o jogo como o único alento para as dificuldades da vida: assim diz João Lyra Filho (1973): “O povo brasileiro vale-se de um grande jogo de futebol, por exemplo, para pôr em fuga os aperreios acumulados em sua vida cotidiana” (p.284-5). Há de fato, em torno do Futebol, toda uma literatura, uma produção jornalística, programações de rádio e de televisão, etc., que reforçam essa identificação. O futebol tornou-se uma entidade, por assim dizer, "tocável", ou seja, que se relaciona com o resto da sociedade, fornecendo “lazer" e emitindo uma série de valores. Valores que aqui entenderemos também como espaços a serem preenchidos por este esporte, e que ganham dimensões crescentes a medida que percorremos a história do nosso país através do século XX.

Para ler o ensaio completo, acessar o link abaixo:

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