sábado, 5 de novembro de 2011

Filosofia e Futebol



Um artigo bem interessante publicado no site da Fifa mostrando a relação entre Futebol e Filosofia. 

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Geralmente, o conceito de filosofia é definido como a incansável busca pelo conhecimento, a conexão entre as causas e os princípios do universo ou simplesmente o amor pela verdade. "Tudo o que sei é que nada sei", costumava dizer Sócrates; "o caminho é a meta", ensinou o filósofo chinês Confúcio. Esses são apenas dois exemplos de aforismos filosóficos, dentre os inúmeros elaborados por tantos sábios ao longo da história da humanidade.
Em meio à incessante investigação da natureza humana, grandes filósofos e escritores de todo o planeta também refletiram sobre o esporte mais popular do globo. O FIFA.com apresenta alguns desses perspicazes lampejos de vários importantes pensadores sobre o futebol. Comecemos a nossa viagem com um dos maiores dramaturgos da história: William Shakespeare.

Shakespeare
Entre o desprezo e a gratidão
Nos séculos XVI e XVII, algumas pessoas já apreciavam muito o nobre esporte bretão. Richard Mulcaster, contemporâneo de Shakespeare, escreveu que "o futebol fortalece os músculos de todo o corpo, transportando os fluidos para cima e, portanto, garantindo o equilíbrio da mente." No entanto, o célebre escritor inglês dificilmente concordaria com essa declaração, já que as suas duas menções sobre a modalidade não são nada positivas.
Na Comédia dos Erros, de 1591, o servo Dromio se lamenta pelo tratamento que recebe da sua senhora Adriana nos seguintes termos:
"Só porque sou honesto convosco,
Vós me chutais como uma bola de futebol?
Vós me chutais para cá, ele me chuta para lá:
Se isso continuar, tereis de me forrar com couro.
"
Apenas 15 anos mais tarde, Shakespeare voltou a citar o esporte mais popular do planeta em Rei Lear, fazendo um de seus personagens dizer: "Seu jogador de futebol miserável."

Albert Camus
Completamente diferente foi o sentimento expresso pelo ganhador do prêmio Nobel, Albert Camus, que mostrou profunda gratidão ao esporte. "Sou grato ao futebol por um certo ensinamento moral: o leal cumprimento das regras do jogo, que são observadas por todos sem questionamento", declarou certa vez o escritor francês.



Vicco von Bulöw
O teatro do mundo
"Há centenas de milhares de anos, o homem já sentia um certo prazer em chutar os objetos", afirmou o humorista alemão Vicco von Bulöw, explicando por que o homem se tornou bípede. "O problema é que naquela época as pessoas ainda eram quadrúpedes. Quando chutavam para o gol, a bola quase sempre batia numa das patas da frente. Foi então que o homem percebeu que, se quisesse jogar futebol direito, seria necessário ficar de pé."




Horst Bredekamp



Horst Bredekamp preferiu observar o futebol de uma perspectiva mais analítica. "Em nenhuma outra área são realizados processos tão diferenciados em um espaço tão pequeno e com meios tão elementares", explicou o historiador, que concluiu com elegância ao dizer que "o futebol é o teatro do mundo."




Bob Marley

"Futebol significa liberdade", afirmou o mais famoso cantor de reggae de todos os tempos, Bob Marley. No entanto, o ex-presidente dos EUA Harry Truman deu uma declaração que contradiz, de certa forma, o pensamento do jamaicano. "É mais fácil ser presidente dos Estados Unidos do que técnico de futebol", comentou o americano. "O meu mandato dura quatro anos. Já um treinador de futebol, se ele perde, pode ser mandado para o olho da rua de hoje para amanhã."


Futebol, cultura e religião
Não há dúvidas de que muitos homens inteligentes elaboraram engenhosos pensamentos sobre o futebol, que foi paulatinamente sendo incorporado à cultura humana. Digna de ser mencionada é a definição algo tosca da bola de Fuzball que consta no antigo Dicionário dos Irmãos Grimm: "Uma bexiga de boi cheia de ar e recoberta de couro que as pessoas arremessam para o alto ora com as mãos, ora com os pés."

Eduardo Galeano
"Em que o futebol se parece com Deus?", questionou o escritor uruguaio Eduardo Galeano, que respondeu em seguida. "Na devoção depositada por muitos crentes e na desconfiança de muitos intelectuais." O filósofo Umberto Eco complementou essa ideia. "O futebol é uma das crendices mais difundidas do nosso tempo", afirmou o italiano. "Ele realmente é o ópio do povo nos dias atuais."

A complicação de vencer um adversário
No caminho oposto ao das bem colocadas críticas de Galeano e Eco, outros pensadores preferem enxergar o lado positivo desse esporte tão querido em todo o globo. "O futebol cria um plano democrático de troca, é um verdadeiro diálogo entre culturas", diria Calixthe Beyala. "Para o futebolista, futebol é um esporte e também um trabalho e um negócio, mas para o não-futebolista, ou seja, para todas as outras pessoas, futebol é cultura e um estilo de vida", explicou Egyd Gstättner. A esses comentários, o artista alemão Janosch ainda acrescentaria: "Existe ainda apenas cultura, sem o futebol?"

Jean-Paul Sartre
Interessantes pontos de vista também foram levantados pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre, que analisou a complexidade do objeto redondo que desperta tantas paixões e concluiu que "em um jogo de futebol, tudo fica complicado devido à presença do adversário."

Um jogo dura 90 minutos
Enquanto os escritores e pensadores criam teorias e filosofam sobre futebol, alguns praticantes da modalidade também registraram grandes aforismos a partir da observação dos seus aspectos mais elementares. Depois da eliminação diante da seleção alemã na Copa do Mundo da FIFA 1990, o inglês Gary Lineker apelou para essa simplicidade para explicar a derrota: "O futebol é um jogo simples: 22 homens correm atrás de uma bola durante 90 minutos e no final os alemães vencem."

Sepp Herberger

A nossa viagem pelos pensamentos de tantas mentes brilhantes sobre o esporte mais popular do mundo se encerra com o técnico Seep Herberger. Com palavras aparentemente óbvias mas que expressam uma profunda sabedoria, o alemão alcançou algumas verdades realmente irrefutáveis. O arquiteto do Milagre de Berna formulou sentenças como: "Depois do jogo é antes do jogo" ou "A bola é redonda e o jogo dura 90 minutos..." Nem uma seleção com os melhores filósofos de todos os tempos seria capaz de discutir esses pontos de vista.





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