segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um livreiro camisa 10

José Luiz Tahan

Seu nome é José Luiz Tahan e no litoral paulista, mais precisamente, na cidade de Santos, ele é o responsável por manter viva a paixão pelos livros. Desde 2006, além de vender livros, tornou-se editor de algumas obras que se tornaram referência.
Nessa entrevista, "Zé Luiz", como todos o tratam, revela a trajetória de sua livraria (www.realejolivros.com.br) e a rotina como editor.

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“Livro de futebol vende, não tanto quanto camisas e chuteiras”

Literatura na Arquibancada:
Fale sobre a Realejo. Quando surgiu? Qual o foco? E por que Realejo?

José Luiz:
A Realejo nasceu como livraria em 2001, há 10 anos, dentro de um campus universitário, que abrigava cursos de filosofia, letras e jornalismo, áreas que a gente sempre gostou. Na nossa livraria atendemos muitos professores universitários e seus alunos. Somos uma livraria de humanidades e também de muita diversão. Trazemos escritores de todos os cantos, temos um bar café e recebemos os clientes para apresentações musicais na calçada, sempre às sextas e sábados.


O nome Realejo surgiu como uma proposta e um convite para o leitor lembrar de um mundo mais romântico. A máquina do Realejo tem a música e a sorte como companheiras, perambula pelas ruas, acho simpática a figura do tocador de Realejo e do seu periquito. Além de soar bem, aliás muita gente não sabe o que é um Realejo, daí explico, é claro. Asseguramos a lembrança do nome através do batismo da livraria!

L.A:
Por que vender e publicar livros sobre futebol? Quando surgiu esse interesse?

J.L:
Sou natural de Santos, uma cidade que respira futebol e que sediou o maior time de todos os tempos. Em 2006 começamos a editora com futebol, brinco que estreamos com o pé esquerdo, mas não qualquer pé esquerdo, o mais importante canhoto da Vila Belmiro, o Pepe.

L.A:
Livro de futebol vende?

J.L:
Vende sim, não tanto quanto camisas e chuteiras. Mas trabalho para minimizarmos essas diferenças.

L.A: 
Como analisa o atual mercado editorial de livros sobre futebol?

J.L:
                                                                                               
Acho que esse mercado se fortalece a cada temporada, desde A estrela solitária, do Ruy Castro nos anos noventa vivemos a era moderna desses títulos. Existem até livrarias temáticas como a Pontes em campinas e a Folha Seca no Rio, além da Realejo aqui em Santos.
                                        
                                           
 L.A:
Quais os livros que você já editou pela Realejo?

J.L:
Já são perto de 40 títulos. Alguns se destacaram, lá vão: Santos, um time dos céus, do Torero e Pimenta, O jeitinho Americano de Matthew Shirts, Os blogs do além do Vitor Knijnik, e, claro, Pelé 70


L.A:
Entre os livros publicados, tem alguma curiosidade pra lembrar?

J.L:
Várias histórias acontecem nos bastidores. A oportunidade de publicar um livro do jornalista Zé Hamilton Ribeiro apareceu em meio às atividades de uma palestra com ele que eu estava produzindo aqui em Santos. Tive a chance num tom de desafio, ele perguntou se eu encarava publicar um livro seu e eu falei, é pra já! Dois anos depois chegou ao mercado Realidade re-vista, do Zé Hamilton e do Zé Carlos Marão. O livro é finalista do prêmio Jabuti, vamos torcer.  


 “Um editor é parente do escultor”

L.A:
Qual é a sua rotina como editor de livros sobre futebol? Como recebe os originais? Como é feita a negociação? Como é o trabalho específico como editor?

J.L:
Vivo na livraria, o andar de cima reservo para o ofício de editor, quando desço para tomar café, atendo os clientes e mantenho o perfil do livreiro, que me orgulha muito. Recebo propostas de livros a toda hora, tanto pessoalmente como por telefone, e-mail e redes sociais. Decido quais livros eu acho que tem a ver com a Realejo e arriscamos. Leio os originais e chamo o autor para repassar as minhas impressões sobre o seu texto. Um editor é parente do escultor, o catálogo de uma editora é uma escultura que ganha forma a cada lançamento. Vamos martelando, aos poucos construindo uma identidade através das escolhas editoriais.

O editor tem esse compromisso, de ser mais do que um leitor, mais até do que um crítico. Uma mistura de arte e mercado, como aquele meio-campista que lança uma bola açucarada no vazio, onde o atacante ainda não chegou.


L.A:
Qual o livro que lhe trouxe maior prazer de editar? E por quê?

J.L:
Sem me desfazer de ninguém, tenho grande alegria em ter editado o nosso querido Pepe, o José Macia. Ao longo do delicioso convívio após os anos antes e depois da publicação, o Pepe se tornou um grande amigo. Continuamos nos encontrando quase todos os dias para um café aqui na Realejo. Viajamos muito por várias cidades, e ainda iremos a muitas outras, aguardamos convites!

L.A:
Quais os 5 livros nacionais e os 5 estrangeiros de sua preferência?

J.L:
Estrangeiros:

Um, nenhum e cem mil. Luigi Pirandello.
Amor sem fim. Ian Mcwean.
Equador. Miguel Souza Tavares.
O conto da ilha desconhecida. José Saramago.
Histórias de Cronópios e de famas. Julio Cortazar.
Brasileiros:

Cisne de feltro. Paulo Mendes Campos.
A Bíblia do caos. Millôr Fernandes.
Chalaça. José Roberto Torero.
As mentiras que os homens contam. Luis fernando Verissimo.
A paixão de Amâncio Amaro. André Laurentino. 

5 nacionais (esporte)
Estrela Solitária. Ruy Castro.
Bombas de alegria. José Macia, Pepe.
Santos, um time dos céus. José Oberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta.
Veneno remédio. José Miguel Wisnik.
Barbosa. Roberto Muylaert.
1 estrangeiro

Futebol, O Brasil em Campo. Alex Bellos

L.A:
Qual o livro que ainda “sonha” em publicar/editar?

J.L:
Adoraria publicar um grande autor brazuca, pode ser um Milton Hatoum, brimo e craque!

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