quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Última Hora - Uma revolução no jornalismo esportivo

Capa de junho de 1962 do jornal Última Hora
reprodução Arquivo do Estado de SP
Ele era apenas um iniciante no jornalismo esportivo em 1962, mas não tem dúvida em afirmar que participou de uma verdadeira “revolução” no jornalismo esportivo quando começou a trabalhar no extinto jornal Última Hora, de Samuel Weiner.

Vital Bataglia

Vital Bataglia, um dos mais brilhantes jornalistas esportivos do país, infelizmente, não escreve mais para nenhum jornal. Sua trajetória profissional é incrível. Bacharel em Direito, é jornalista profissional desde 1962 quando iniciou a carreira no jornal Última Hora. Foi um dos fundadores de Notícias Populares, e em 1965, transferiu-se para o Jornal da Tarde, do qual também foi fundador e lá exerceu as funções de Repórter Especial, Editor de Esportes e Editor de Projetos Especiais. Também foi Diretor de Esportes da TV Record (1978), comentarista da rádio Jovem Pan além de ter dirigido a redação dos jornais A Gazeta Esportiva - A Gazeta. (1992/1996). Em 1990/91 foi Assessor de Imprensa da Comissão Técnica da Seleção Brasileira de Futebol. Em 1998, criou o extinto site Olé. A prova de que o repórter Vital Bataglia faz parte do time “primeira linha” são os vários prêmios Esso de reportagem recebidos ao longa da carreira: O Casamento de Pelé – 1966; Juiz ladrão e herói – 1968; As aventuras de um rei do futebol – 1973; Cobertura da Copa do Mundo – 1978; Cobertura da Copa do Mundo – 1986; Informação Econômica: Os 20 anos do BNH – 1984; Informação Científica: O primeiro transplante de coração na América do Sul – 1967; Reportagem Geral: As tragédias de Caraguatatuba – 1967; Incêndio no Joelma – 1974.

“A Última Hora foi um movimento
literário no jornalismo esportivo”
                               (Vital Bataglia)

Conseguir uma vaga em um jornal como a Última Hora, por exemplo, era um sonho, ainda mais no ano de 1962, quando o diário sofria uma reformulação geral em sua editoria de esportes. Vital Bataglia começava sua carreira no jornalismo esportivo no exato momento em que Celso Eduardo Brandão deixava O Estado de S. Paulo para assumir a editoria de Esportes no jornal de Samuel Wainer. Além de talento, um bom contato era sempre útil. Dessa forma, o office-boy do Banco de Boston soube por intermédio de seu amigo, Zicardi Navajas – que trabalhava no jornal antes de se tornar diplomata –, de um teste para a vaga de repórter da Última Hora. Aprovado, Bataglia descobriu um novo mundo: “Escrevia sobre todos os clubes do interior. Naquela época precisávamos pedir uma ligação às onze horas da manhã, para quatro ou cinco horas depois começarem a pintar as ligações. Fazia basquete, esportes amadores também. Era um negócio muito legal, pois reuníamos, na redação, atletas, lutadores de boxe, gente consagrada do esporte”.
Apesar da rotina desgastante, trabalhar na redação da Ultima Hora representava participar de um marco na história do jornalismo esportivo: “Ali foi um movimento literário no jornalismo esportivo, porque a Gazeta Esportiva só enaltecia o futebol e seus títulos fantásticos. Com a chegada do Celso Eduardo Brandão (à Última Hora) começamos a mostrar os problemas que estavam ocorrendo no esporte, especialmente no futebol. Julgo que foi o movimento do romantismo para o realismo. Começamos a mostrar problemas nas arbitragens, as dificuldades da legislação desportiva que não ajudava em nada os atletas. Foi uma coisa excelente, pois quem estava acostumado com a Gazeta Esportiva, começou a perceber que havia um outro ângulo da notícia que não estava sendo abordado”.
Celso Eduardo Brandão queria fazer um “jornalismo verdade”. Dois repórteres ficavam atrás dos gols e também junto aos técnicos das equipes. A missão dos jornalistas era cobrir os “bastidores”, ficar atentos às orientações táticas, às discussões dentro do gramado: “O jornal tinha também uma nova diagramação. Acompanhávamos tudo sobre a mesa. Prestava atenção à dona Clara, uma professora de jornalismo que chegava a explicar o porquê de estar usando determinada foto horizontal, ou uma diagramação vertical”. Além de todas essas mudanças, Bataglia recorda que as coberturas esportivas passaram a ganhar conotação política: “A Última Hora era considerado um jornal de esquerda. Os jornalistas que trabalhavam ali tinham uma tendência. Você olhava para a sua esquerda, estava Jô Soares, mais a frente, os colunistas Ricardo Amaral e Arapuã. Eram profissionais que a gente nem sonhava em conhecer e de repente, você estava ali, ao lado deles”.
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Em breve, postaremos artigo sobre outro momento histórico do jornalismo esportivo: a criação do caderno de esporte do jornal O Estado de S.Paulo e do JT - Jornal da Tarde.




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