quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SER 10 - Talento ou Destino? (parte 4)


Em 2010, o SESC,  de Santos organizou a exposição e vídeo-instalação "É 10!". O evento prestou homenagem aos 70 anos de Pelé e outros craques do mundo que se destacaram vestindo a camisa 10. Para quem não viu, compartilho aqui os textos que produzi para o evento.

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Sucesso

Vivemos no tempo em que o fenômeno da autoajuda domina as mais variadas culturas e sociedades, mas nem por isso, o significado da expressão “ser 10”, pode ser confundido com tais situações. Somos bombardeados diariamente por “especialistas” na arte de vencer, que tentam vender ao mundo, pelas mais diversas formas, como livros, palestras e cursos, fórmulas variadas para se atingir o sucesso.

Talvez resida aí o fascínio que o futebol exerce sobre nós. Como simples mortais conseguem atingir o topo do mundo e ser o melhor entre os melhores, com histórias de vida extremamente simples? Pergunte isso a um atleta consagrado e, invariavelmente, por menor que seja o grau cultural do personagem, a resposta sempre passará por “chavões” sempre utilizados pelos gurus da autoajuda, tais como: “acredite em você”, “persista nos seus sonhos” e muitos outros.

Como se vencer ou obter sucesso dependesse simplesmente de regras pré-estabelecidas, passamos grande parte de nossas vidas tentando nos espelhar em pessoas ou situações cujos resultados positivos obtidos nas suas trajetórias refletem um modelo ideal de sobrevivência.

Ser 10 tornou-se clichê representante daquilo ou daqueles que obtém sucesso no dia-a-dia. No esporte, como na vida, ser vencedor passou a ser quase uma obsessão. Profissionais especializados dos mais variados setores de atividades trazem na ponta da língua discursos prontos e ensaiados exaustivamente sobre a quase obrigatoriedade do “instinto vencedor”.

Afinal, alguém saberia responder se pessoas ou produtos de sucesso nasceram vencedoras? Ou ainda, o que faz tais pessoas obterem sucesso enquanto outras fracassam?
Por mais que “especialistas” tentem estabelecer parâmetros, regras e guias, o ser humano estará sempre sujeito aos sonhos idealizados durante a progressão de sua vida. Aqueles que acreditam em uma chave-mestra para abrir as portas da felicidade, poder e riqueza, como algumas pessoas bem-sucedidas conseguiram alcançar, invariavelmente, ficam pelo caminho das frustrações.

Ser 10 é muito mais do que se consagrar nos gramados de futebol. É conseguir desempenhar os inúmeros papéis que a vida nos obriga a exercer como mãe, pai, filha, profissional, amigo e esportista, com o melhor comportamento possível em cada um deles.

Ser 10 é evoluir diariamente com os erros e acertos, altos e baixos a que estamos sujeitos pelas responsabilidades assumidas.

Se seguir modelos pré-estabelecidos representasse o caminho certo a ser percorrido em busca do sucesso, muitas celebridades, de vários segmentos, não teriam alcançado a notoriedade em suas vidas.

O ator Fred Astaire, que encantou o mundo dançando em mais de 40 filmes, foi recusado em seu primeiro teste para o cinema sob alegação de que não sabia atuar, dançava pouco e além de tudo era careca.

Walt Disney foi despedido por um dos editores dos jornais em que trabalhou sob alegação de “falta de criatividade”. Nunca desistiu do sonho de construir a Disneylândia, mesmo tendo ido à falência diversas vezes.

Rodin, considerado o pai da escultura moderna, criador de obras eternas como “O Pensador” e “O Beijo”, foi reprovado três vezes na escola de artes parisiense antes de conseguir entrar e, depois ainda foi considerado o pior aluno da turma. Não desistiu jamais, mesmo sabendo que até o próprio pai o considerava um idiota.
Ser 10, vencedor ou detentor de algum sucesso na vida é, sem sombra de dúvida, aquele que triunfa sobre as próprias limitações.



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